Fajã de Santo Cristo

Fajã de Santo Cristo on São Jorge IslandOne of many memorable days on our recent language immersion tour of the Azores Islands took place while visiting Fajã de Santo Cristo on São Jorge island. A fajã is a flat, often sloping piece of land found along the coast and is formed by the lava flows from volcanos and debris from crumbling cliffs. São Jorge has 46 fajãs, more than any of the other eight islands.

The Fajã de Santo Cristo may be the most beautiful fajã in São Jorge, but it is certainly notFajã de Santo Cristo on São Jorge Island the easiest one to visit. After parking the car at fajã dos Cubres, there is a 9 kilometer walk, more than 5 miles, to the Fajã de Santo Cristo itself. For this reason this is an optional trip on our tours. But on this fine day everyone agreed to take the trip, and it was well worth the effort. Along the way we enjoyed fantastic views of the islands of Pico and Faial. The weather was perfect, and we hardly noticed how long a hike it was.

On arrival we were so struck with the beauty of the place that we sat for a while just taking it in. This fajã encompasses a lagoon before it curves away into the sea. Across the lagoon are a few houses belonging to local residents, a church and a small restaurant. We admired the reflections of the mountains in the lagoon, and then we decided to explore.

As we hiked around the fajã we watched the shifting views of the land and ocean, peered into an almost hidden underground cave, and decided that yes, Fajã de Santo Cristo is probably the most beautiful fajã of all. But the best was yet to come.

Fajã de Santo Cristo on São Jorge IslandBecause the tide was out we were able to see vast clumps of lapas along the shoreline. Lapas are limpets, a mollusk with a dome-like shell that clings to rocks to keep from being washed out to sea. And they are very tasty! Using a small knife we pried them off the rocks and ate them without any preparation at all! They are safe to eat raw as we can certainly attest to, and they are delicious that way, but many people grill them or make a stew of them with rice. Eating them as we did we were reminded of oysters, clams, and other shellfish that can be eaten fresh from the waters. When we had our fill of lapas we walked back to the lagoon and spent some time digging clams, which we also ate on the spot!

We eventually wandered over to the buildings we had seen and there found a pleasant restaurant to enjoy coffee and rest from the exertion of feeding ourselves. It was time to leave when we saw the clouds starting to change. Sure enough, on our hike back to the car it sprinkled on us, and somehow this was as much fun as anything else we had done that day. Wet and happily tired we climbed into the car and headed back to the main road.

Fajã de Santo Cristo on São Jorge IslandAlong the way a local rancher was guiding his herd of cows to a new pasture and he clearly didn’t care if we were in his path. Suddenly we were surrounded by cows on all sides. Surrounded first by the glorious ocean and now surrounded by a sea of cows, we laughed and decided it was the perfect end to a perfect day!

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Festas do Espírito Santo

Study European PortugueseFestas do Espirito Santo, Azores.

Nesta altura do ano, em qualquer ilha dos Açores que estejamos e lugar dela que passemos vive-se um ambiente de festa – eis que chegamos ao Espírito Santo, semana na qual nos encontramos e à qual se segue a da “Santíssima Trindade”. Estas festas, apesar de se iniciarem depois do Domingo de Páscoa, em proporções menores, têm como dias principais as semanas que antecedem o Domingo do Espírito Santo e o seguinte da Trindade. Prolongando-se, por vezes, até ao verão, com famílias que aguardam a chegada de emigrantes açorianos que vêm de férias.

AS Festas do Divino Espirito SantoO culto do Espírito Santo, de inspiração franciscana, remonta ao tempo de D. Diniz e da Rainha Santa Isabel e, apesar de se ter iniciado em Portugal continental, onde atualmente já quase desapareceu, mantem-se bem vivo nos Açores, existindo ainda em locais como Brasil, EUA e Canadá levado por emigrantes açorianos. Este culto dignifica o Espírito Santo, uma das Pessoas da Santíssima Trindade, a par da exaltação da fraternidade, sendo esta a essência das Festas do Espírito Santo: a partilha do bodo (alimento) com os demais.

Esta festa é a Festa do povo açoriano, uma festa feita em forma de dádiva e partilha, através do pão, do vinho e da carne. E onde se encontra um dos pratos mais tradicionais e apreciados: as Sopas do Espírito Santo, ansiadas por muitos e comidas com deleite e sentimento, sentimento que é unânime a esta gente.

Festas do Espirito Santo - AzoresA cada ano são escolhidos os mordomos (pessoas que dão a festa) para o ano seguinte, guardando estes, em sua casa e em lugar de destaque, as insígnias do Divino Espírito Santo (coroa e prato, cetro, em alguns lugares uma espadinha, a imagem da Rainha Santa Isabel, varas de madeira e uma bandeira). Chegado o tempo da festa, estas insígnias são levadas para o império (pequeno edifício religioso original da arquitetura açoriana, semelhante a uma capelinha em miniatura) ou para a casa onde é celebrada a festa, aí é construído um altar, enfeitado com flores e bonitos tecidos, no qual são colocadas algumas insígnias. Junto a este é rezado um terço todas as noites, durante a semana que dura a festa (de domingo ao domingo seguinte), reunindo-se familiares e amigos dos mordomos para rezar e conviver.

Durante esta semana é cozido pão de trigo e massa sovada em fornos de lenha e no final da Azorean Culturesemana é preparada a carne, normalmente oferecida no cumprimento de promessas, que é cozida com couves e especiarias originando depois, a partir do seu caldo colocado a ferver em cima do pão cortado às fatias e aromatizado com folhinhas de hortelã, as tradicionais sopas do Espírito Santo, acompanhadas de vinho de cheiro e da deliciosa massa sovada. No sábado fazem-se papas de arroz (ou arroz doce), servidas como sobremesa no almoço da festa e em alguns lugares são feitos ainda outros tipos de doces tradicionais (queijadas, espécie, caramelos, suspiros, entre outros), sendo um dos mais antigos e apreciados o doce branco ou alfenim.

No domingo vai-sMaria Oliveira-European Portuguese and Culturee à igreja, onde é coroado o imperador, geralmente uma criança ou alguém escolhido, levando os familiares, amigos ou convidados, cada um uma das insígnias e acompanhando a coroa em procissão até à igreja. No final da missa é feita a coroação e regressa-se em procissão para o local onde são servidas as sopas. Ao final do dia, a coroa e as insígnias são levadas até à casa dos mordomos da semana seguinte, que as recebem durante essa semana.

Como já foi referido, as Festas em louvor do Divino Espírito Santo variam não só de ilha para ilha, mas até mesmo de freguesia para freguesia na mesma ilha, assim, poder-se-ão encontrar tradições distintas da aqui descrita sumariamente. Por exemplo, os bodos de leite, que fazem parte desta tradição, mas acontecem a um outro dia da semana, nos quais é distribuído vinho, massa sovada, queijo e tremoços por quem passa, havendo por vezes uma procissão com o gado oferecido para a festa, acompanhado de tocadores de músicas tradicionais.

Independentemente das características destas festas, não há, neste meio do atlântico,Maria Oliveira Language Learning Center quem não respeite e sinta o Divino Espírito Santo, sendo mesmo capaz de ultrapassar diferenças de crenças, trazendo todos a uma mesma mesa, onde se celebra a vida e aquilo que somos pela partilha, de uma forma simples, mas verdadeira, no fundo, uma ode à humanidade.

São assim, estas festas do Espírito Santo as principais festas dos Açores e o culto de máxima importância, celebrado nesta época, mas relembrado e respeitado todo o ano, uma marca cultural e etnográfica desta região, confirmado pelo Dia da Região Autónoma dos Açores que se assinala na Segunda-feira do Espírito Santo.

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A Quaresma nos Açores

Após a roda-viva do Carnaval, encontramo-nos no tempo da Quaresma. Nos Açores, com o passar do tempo, a prática de algumas das tradições foi-se desvanecendo, mas na memória ainda as encontramos a todas bem vivas.

A Quaresma nos Açores representa um tempo de reflexão, penitência e sacrifícios. Um dos principais reflexos destes propósitos está no tipo de alimentação adoptada. Na ‘Quarta-feira de Cinzas’, primeiro dia de Quaresma, é feita renúncia à carne, prolongando-se depois a cada sexta-feira até à Páscoa. Desta forma, a base das refeições, sobretudo em outros tempos, passava a ser o peixe, tortas de erva do calhau, cebola e salsa, as lapas, o polvo, ovos, queijo e sopa. Havendo também quem estabelecesse não comer carne durante toda a Quaresma.

Apesar da época ser essencialmente de sacrifício e restrições, por cá não perde a sua graça, trazida esta por um jogo bem tradicional: o balamento. Trata-se de um jogo muito simples (de origem, possivelmente, brasileira e não encontrado em Portugal continental), jogado a pares e que consiste em dizer ‘balamento’ ao adversário quando o vê pela primeira vez em cada dia. Quem chegar ao fim, normalmente ‘Sexta-feira Santa’ ou ‘Sábado Aleluia’, com mais balamentos dados ganha, recebendo do adversário um prémio: o balamento.  Segundo a tradição, este prémio/balamento será amêndoas, IMG_amendoasmas pode ser outro doce conforme o acordado, e é entregue no dia de Páscoa e repartido com os demais.

Hoje o jogo limita-se a crianças e jovens, mas ainda tenho na memória as histórias da minha avó (de como rasgou o vestido ao esconder-se para dar o balamento…), prova do entusiasmo que envolvia este jogo, na altura jogado por miúdos e graúdos, sendo os últimos os mais empolgados. O acirramento era tal que se engendravam artimanhas, a ponto de se disfarçarem para não serem reconhecidos ou passarem o dia a esconder-se do adversário, para o surpreender e dar o balamento!

Falar de Quaresma nos Açores é falar dos Romeiros, principalmente em SãoMaria Oliveira - Learn Portuguese Miguel, onde é uma das tradições mais vivas e sentidas. Estes Romeiros são peregrinos que todos os anos saem à rua ao longo destas cinco semanas para reafirmar a sua fé e a agradecer a Deus. Esta tradição remonta ao século XVI, quando zonas de São Miguel foram sacudidas por violentos tremores de terra, seguindo-se uma erupção vulcânica, à qual, numa população de 4500 pessoas, apenas sobreviveram 500.   Desde então há registos de todos os anos homens percorrem a pé as estradas à volta da ilha orando e cantando em voz alta. Os grupos compõem-se somente por homens, desde jovens a idosos, que durante uma semana caminham, levando consigo apenas um saco com os bens essenciais, um bordão, um lenço de lã e um xaile. Pernoitam em casa de pessoas que se oferecem para acolher os Romeiros e vão parando nas igrejas e ermidas que lhes surgem no caminho, chegando no 8º dia ao ponto de onde partiram.

Todavia, se a Quaresma tem o poder de acalmar o temperamento dos Açorianos, não tarda em chegar a Páscoa e com ela voltamos ao trabalho. Isto é, à cozinha a misturar ovos, açúcar, manteiga e farinha que, depois de amassados e cozidos, resultarão em lindos e brilhantes folares!

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